Me chamo Victor Antonio Reis e não lembro da minha vida sem cães!

Desde que nasci fui cercado por cães das mais variadas raças e tamanhos. No berço era cuidado por um Dogue Alemão – Walker – cresci com Boxers, Rottweilers, Mastinos, Cockers Ingleses, Lhasas, Dachshunds, Poodles, Chow-Chows, Yorkshires e vira-latas!

Minha família sempre amou cães e nunca existiu algum momento da minha vida onde não tivéssemos pelo menos dois em casa!

Comecei a pesquisar e me apaixonar pela cinofilia com cerca de 12 anos, quando ganhei uma enciclopédia canina e a decorei de ponta a ponta! Queria ter todos aqueles cães, conhecia raças que a maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar.

Aos 15 anos, depois de muita pesquisa e insistência, com o apoio da minha família encomendei uma linda filhote de Golden Retriever e já na primeira semana descobri como há criadores mal intencionados. Minha filhota havia sido trocada antes da entrega e me enviaram uma filhota de uma ninhada mais nova ainda sem vacina. Ela veio a óbito oito dias mais tarde.

Esse fato fez com que eu me aproximasse de uma criadora que se tornou uma grande amiga e foi quem me apresentou de verdade a criação de cães de qualidade e suas responsabilidades. Serei sempre muito grato a minha amiga Cláudia Domingos, do canil Terra dos Gigantes por tudo que me ensinou a respeito de ética e respeito à criação de cães. Também foi ela quem me cedeu meu lindo Golden Retriever, Dudu, o primeiro cão que apresentei em exposições.

Após minha curta aventura com os Goldens, com uma mudança de casa para apartamento e início da faculdade, fiquei um pouco distante da criação, mas sempre ligado na cinofilia.

Em 2009, já na faculdade de veterinária, decidi que era hora de voltar ao sonho e novamente depois de muitas pesquisas decidi que queria criar Border Collies. Criei a raça por alguns anos, tive algumas ninhadas e fiz grandes amigos.

Os Borders em minha vida, vieram para me ensinar a ser paciente, fazer as coisas com calma e que a criação não é simplesmente comprar lindos filhotes e reproduzi-los. É muito mais profundo. As coisas nem sempre caminham conforme planejado e facilmente podemos nos frustrar quando elevamos ao máximo nossas expectativas.

Após uma série dessas frustrações decidi acabar com minha criação de Borders, tirei meus cães de reprodução, doei alguns para amigos que os criariam como membros da família e fiquei com uma delas apenas, Tonica, fruto da primeira ninhada nascida em minha casa.

Em 2013 decidi que queria retornar à criação, mas desta vez faria com muita calma e cautela, daria um passo de cada vez e não colocaria "o carro à frente dos bois". Busquei por cerca de um ano uma raça pequena, mas que não fosse de colo. Não queria um "cachorro de madame", queria um cão que apesar de pequeno, pudesse me acompanhar na fazenda, nas viagens, que pudesse nadar em rios e também ir ao shopping. Enfim... queria um Terrier!

Conversei com muitos criadores de raças variadas, juízes, handlers e veterinários. Até que uma amiga, Antonieta Dantas, criadora de Jack Russell Terrier comentou que estava com duas fêmeas grávidas, uma delas em sua casa em Marília (SP) e outra em sua fazenda, em Rio Negro (MS) perto da minha casa. Sem pensar duas vezes me ofereci para cuidar da cadela e da ninhada que estava na fazenda. E assim nasceu a primeira ninhada de Jack Russell Terrier na minha casa. Aí eu já estava completamente apaixonado pelos pequenos Terriers, que eram alegres, durões e companheiros. Era a raça que eu buscava.

Alguns meses depois, chegou a Hathena (Hathena Imperial Of Malan's Rock), importada da França, foi um presente da Antonieta para mim. O melhor presente que já ganhei.

Com apoio e incentivo da minha amiga, criadora de Borders, Camila Sakavicius, decidi levar a Hathena para uma exposição de beleza e lá ela foi extremamente elogiada por juízes especialistas em Terriers, o que me incentivou a fazer a campanha da minha francesinha.

Hathena, em 4 meses de campanha, se tornou Jovem Campeã, Campeã Brasileira, Campeã Panamericana, Grande Campeã Brasileira e Grande Campeã Panamericana, além de encerrar o ano como melhor fêmea da raça no Brasil em 2014.

Minha menina de ouro voltou para casa, de onde só saiu para exposições uma última vez no ano seguinte, quando fechou seu Campeonato Internacional e ainda obteve colocações de Best In Show.

De lá para cá os Jacks arrebataram meu coração e de toda a minha família.

Tivemos poucas ninhadas da raça até hoje, mas já produzimos alguns cães fantásticos.

Berenice Maria, da minha amiga Camila Sakavicius, por exemplo, tornou-se Best In Show da primeira Exposição Especializada da Raça Jack Russell Terrier promovida pelo Conselho Brasileiro da Raça Jack Russell, com apenas 7 meses de vida, competindo com 20 lindos jacks de oito países diferentes. Nossa menina prodígio também obteve o segundo lugar de Best In Show Filhote na maior exposição do Brasil, a Exposição da CBKC em Atibaia (SP).

Sua irmã, Bohemia Maria, conquistou excelentes resultados em pista, recebendo muitos elogios dos juízes que a julgaram.

Annabelle, foi a primeira Jack nascida em minha casa a fechar o título de Campeã Brasileira e Campeã Panamericana, além de ter se colocado em BIS Jovem.

Assim foi o início da minha criação de Jack Russells. Sempre fui muito abençoado por ter ao meu lado pessoas maravilhosas que me apoiaram e seria impossível citar todas, mas não posso deixar de agradecer a minha mãe e minha avó que desde criança me apoiaram e incentivaram, mesmo quando tive quatro Borders adultos e oito filhotes dentro de um apartamento. Também não posso deixar de agradecer aos meus amigos, Camila e Guilherme, que sempre me deram apoio e suporte para a criação e exposições.

Estes foram nossos primeiros passos no Canil Coroa Celta. Tenho a ciência de que teremos um árduo caminho pela frente no trabalho de preservar a raça que amo e hoje tanto é desgastada nas mãos de criadores inescrupulosos que não fazem seleção e criam visando única e exclusivamente o lucro.

Meu objetivo é criar cães típicos, saudáveis e de temperamento equilibrado.

Nossos cães são criados como membros da família. Convivem conosco no dia a dia, brincam, dormem no sofá, e estão sempre aos nossos pés. Enfim, são nossos filhos.

Entrego os filhotes a partir dos 70 dias de vida em alguns casos, mas a maioria eu prefiro esperar até os 90 dias, para assegurar que até lá o filhote terá a socialização necessária para que se torne um adulto equilibrado e sem traumas, que possa se tornar um grande companheiro para sua nova família.

Após o envio do filhote para seu novo lar gosto de acompanhar seu crescimento de perto, dando acessória vitalícia ao novos donos do filhote, ajudando a sanar qualquer dúvida que eles tenham, para que desta maneira possam tratar ainda melhor seus filhotes.

Nossos filhotes pelo Brasil inteiro nos trouxeram grandes amigos, que fazem parte da "Família Coroa Celta". E eu sou grato a todos por isso.

Esse é um pedaço da nossa história que ainda estamos escrevendo.

Espero ajudar a escrever a história da raça no Brasil junto com outros criadores empenhados em melhorá-la cada vez mais.

Obrigado a todos,
Victor Antonio Reis